Escrevi o texto que se segue imediatamente após um exercício inserido no método de Stanislavski, proposto por Cristina Carvalhal. O texto base é "A Gaivota" de Tchekov, e a personagem-base é a Nina.
O desafio era andar pelo espaço, deixando invadir a mente com as imagens que o texto provoca, e passá-las para o corpo.
Sentei-me sozinha.
Procurei um peito. (Não... não é isto!)
Tenho-o. (Não é este!)
Onde estás?
Onde está?
Está tudo igual... “Homens, leões, águias e perdizes...”
“Todas as vidas, todas as vidas, todas as vidas...”
Vou para Moscovo!
Preciso de..
De ti?
Não! Não te amo.
Não fico! Não te amo!!!
Eu amo-o...
Eu amo-o...
Eu amo-o...
Ele não é? Não, é! É!
Deixa-me.
Eu vou sozinha.
Observo tudo ao longe.
Tudo me é próximo e está tão...
Tenho vergonha. Tenho medo.
Queres ver-me? Sinto o corpo pequeno só de imaginar que não me vais reconhecer.
Precisei de um peito. Tu, eu sei que mo darias.
Mas...
Não é o teu.
Quero chorar. Por dentro choro todos os dias.
Mas não... só contigo.
Ele fez-me mal?
Sei.
Mas amo-o.
Não me culpes. Não me odeies.
Não sou capaz de te amar.
Por tudo o que me dizes, por tudo o que não me dizes... mesmo assim...
Amo-o.
Por isso, é tempo de partir.
Ana Dionísio
Sem comentários:
Enviar um comentário