terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tempo de partir

Escrevi o texto que se segue imediatamente após um exercício inserido no método de Stanislavski, proposto por Cristina Carvalhal. O texto base é "A Gaivota" de Tchekov, e a personagem-base é a Nina.

O desafio era andar pelo espaço, deixando invadir a mente com as imagens que o texto provoca, e passá-las para o corpo. 



Sentei-me sozinha.
Procurei um peito. (Não... não é isto!)
Tenho-o. (Não é este!)

Onde estás?
Onde está?

Está tudo igual... “Homens, leões, águias e perdizes...”
“Todas as vidas, todas as vidas, todas as vidas...”

Vou para Moscovo!

Preciso de..
De ti?
Não! Não te amo.
Não fico! Não te amo!!!

Eu amo-o...
Eu amo-o...
Eu amo-o...
                             
Ele não é? Não, é! É!

Deixa-me.
Eu vou sozinha.

Observo tudo ao longe.
Tudo me é próximo e está tão...

Tenho vergonha. Tenho medo.
Queres ver-me? Sinto o corpo pequeno só de imaginar que não me vais reconhecer.

Precisei de um peito. Tu, eu sei que mo darias.
Mas...
Não é o teu.

Quero chorar. Por dentro choro todos os dias.
Mas não... só contigo.

Ele fez-me mal?
Sei.
Mas amo-o.

Não me culpes. Não me odeies.
Não sou capaz de te amar.
Por tudo o que me dizes, por tudo o que não me dizes... mesmo assim...

Amo-o.

Por isso, é tempo de partir.


Ana Dionísio

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